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Amor em Tudo

Querida eu, queridos vós, queridos nós,
Lembro-me de uma fotografia tirada no Algarve, em Vila Real de Santo António, numa esplanada à beira-mar.
Nela, enquanto os seus pais comiam uns belos bifes de atum, uma garota fazia das costas da cadeira um guiador de uma mota imaginária.
Essa garota sou eu. Com mais anos, com mais experiências, com outro corpo.
Lembro-me também de um filme, fraquito mas bem-intencionado, que vi madrugada adentro de insónia. Nele, um escritor recém-descoberto e deslumbrado pelo sucesso recebia a notícia de que ia morrer em breve. E dizia: “No fim o que queremos é tempo”.
Tempo, esse mestre e esse carrasco. Que nos ajuda a compreender e que nos enferruja as dobradiças…
Tenta estar presente nele. Há algo de religioso mesmo naquilo que acontece todos os dias. E os teus olhos, mesmo míopes, são um milagre em si mesmo. Tu és um milagre em ti mesma.
Acredita em ti. Segue essa voz de dentro.
Põe amor em tudo. Mas sê gentil contigo, comigo, connosco.
Eu sou como tu quando a alma está a nu.
Não leves tudo tão a sério. O melhor que podes é suficiente.
Não apontes às minhas faltas e esquecimentos. É só o tempo a trabalhar no corpo…
Aponta, sempre, ao coração e ao sorriso terno. Não falhas, nunca falharás.
E dá-me a mão… (às vezes eu também tenho medo).
A vida são dois dias.
E o carnaval são três.
E um dia, qualquer dia, vamos nascer outra vez.
Lembro-me de uma garota que, enquanto os seus pais comiam uns belos bifes de atum, fazia das costas da cadeira um guiador de uma mota imaginária.
Essa garota sou eu.
Essa garota és tu.
Essa garota são vocês.
Essa garota somos nós.
Um abraço, com amor
Carta dos 80 anos
Marta Coelho

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